12 Janeiro 2012

SOBRE ALGUMA POESIA CONTEMPORÂNEA

Texto do poeta-crítico Paulo Franchetti, de uma lucidez impressionante, que merece ser lido na íntegra:

Teci algum reparo divulgado via Facebook, pequeno diante de tanto acerto, que recebeu um amável curtir do próprio Franchetti:

Penso que o artigo de Paulo Franchetti é bom, traz questões chaves com muita propriedade e incita ao debate. Vou abordar uma dissonância quanto ao meu modo de ver, concordando no essencial. Claro que não existe objetivismo nem subjetivismo puro: muito do “objetivismo” atual é tão distante  do mundo objetivo e das relações humanas reais que atinge facilmente o solipsismo, sem a menor consciência disso. No entanto, não creio que se possa voltar atrás e retomar algo do confessionalismo, uma das soluções aventadas, pelo menos enquanto eixo principal da poesia. Há espaço para isso e “pressão” de público ávido, Carpinejar que o diga, mas não creio que avançaremos por esse caminho.

Paulo Henriques Brito e Antonio Cicero sentiram essa pressão e revidaram. Talvez Cabral tenha sido mais elegante e menos satírico, mas não penso que o tom da oposição seja o problema, nem mesmo as diferenças de contexto. A poesia que merece ser escrita e lida, para a qual deveríamos apontar nossos esforços, como sugere o artigo, não teria algo a ver com a sua maior ou menor conexão com a realidade? Com, não uma realidade parada, mas o seu andamento e os seres humanos que se movem nela? Qual é o parâmetro de verdade ou do eticamente válido, como quer Franchetti, por mais fantasioso que seja o poema, senão o que podemos apreender, ainda que insuficientemente, do real?

Uma poesia com esse parâmetro, com formas e modos capazes de o expressar, não atenderia a necessidades do leitor atual? Não o aproximaria do gênero, mesmo que para tanto um bom combate com o tempo tivesse que se travar para a sua disseminação? E a poesia, não é ela um canal privilegiado para isso? Sei, falar é mais fácil do que fazer, mas não somos, nós poetas, os “fazedores”? Muito bom ler um poeta atual tratando da função da poesia. Valeu, Franchetti!

Sidnei Schneider

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11 Dezembro 2011

O ENREDO É IMPORTANTE? por Luis Bras*

O enredo voltou ao debate. O pobre e desvalorizado enredo.

As categorias da ficção são basicamente cinco: linguagem (considerando também o foco narrativo), personagem (o protagonista ou o narrador-protagonista ou os muitos personagens centrais, se houver mais de um), enredo, espaço e tempo.

Para muitos escritores e críticos as duas primeiras categorias — linguagem e personagem — são as mais importantes, sendo a menos importante o enredo. Quando a gente pensa em romances como Em busca do tempo perdido (de 1913 a 1927, Marcel Proust), Ulisses (1922, James Joyce), Senhora Dalloway (1925, Virginia Woolf), Berlin Alexanderplatz (1929, Alfred Döblin), Enquanto agonizo (1930, William Faulkner) e Catatau (1975, Paulo Leminski), a gente está pensando em romances de personagens e linguagem complexos, porém de enredo simples.

O oposto disso, o ponto extremo, são os romances de enredo complexo e personagens e linguagem simples. Nesse ponto extremo costumam ser colocados romances como O conde de Monte Cristo (1844, Alexandre Dumas), O senhor dos anéis (1954, J. R. R. Tolkien), Solaris (1961, Stanislaw Lem), Stalker (1971, Boris e Arkady Strugatsky), Lanark (1981, Alasdair Gray), A guerra dos tronos (1996, George R. R. Martin). A crítica especializada costuma rotular pejorativamente esses livros. Eles são classificados como literatura de entretenimento.

O enredo parece ser o inimigo público número um dos escritores que desejam ingressar no seleto time da alta literatura, da literatura sofisticada. No equilíbrio das categorias ficcionais, ele jamais pode sobressair, ele jamais pode suplantar o personagem e a linguagem, se o ficcionista deseja realmente produzir uma obra de arte. Essa é uma certeza da maioria dos autores e da crítica contemporâneos.

Mas a supervalorização da linguagem e a desvalorização do enredo é uma proposta modernista. Essa proposta tem a ver com o antigo sistema de crenças chamado esteticismo, ou arte pela arte. Hoje essa proposta virou uma armadilha.

Isso não significa que o seu oposto, a supervalorização do enredo, é o mais desejável. Essa é outra armadilha, análoga à primeira.

Pra mim, como autor e principalmente leitor, os extremos são pouco atraentes. Eu tenho procurado o meio termo: uma linguagem interessante a serviço de um enredo interessante. Hoje, no romance e no conto, eu não abro mão de uma boa trama conduzida, é claro, por uma linguagem consistente. Nessa larga região fronteiriça eu costumo colocar romances como Grande sertão: veredas (1956, Guimarães Rosa), Cem anos de solidão (1967, Gabriel García Márquez) e Neuromancer (1984, William Gibson).

* Parte 1 de TRÊS PROVOCAÇÕES PARA EXCITAR O FOGO: O enredo é importante? Há falta ou excesso de bons livros? Quais mundos estão à espera dos escritores? - Jornal Rascunho, Curitiba, Nov. 2011, p 16. Luiz Bras é pseudônimo do escritor Nelson de Oliveira.

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30 Novembro 2011

MINIMETRAGENS CIDADE POEMA


Prometeu - Cidade Poema e Sidnei Schneider from Laís Chaffe on Vimeo.


Ei - Cidade Poema e Paulo Seben from Laís Chaffe on YouTube


Haicais - Cidade Poema, Alexandre Brito e Ricardo Silvestrin from Laís Chaffe on Vimeo.


Vampira - Cidade Poema e Telma Scherer from Laís Chaffe on Vimeo.


A força de não ter força - Cidade Poema e Maria Carpi from Laís Chaffe on Vimeo.


Poema com todos os vícios - Cidade Poema e Celso Gutfreind from Laís Chaffe on Vimeo.


79 modelo 80 - Cidade Poema e Ricardo Silvestrin from Laís Chaffe on Vimeo.

Direção: Laís Chaffe
Música: Beto Chedid
Direção de fotografia: Rodinério da Rosa
Edição: Tiago Demaman
Direção de produção: Kika Lisboa. 

Em 2009, vários poetas gravaram poemas seus ou de autores que admiram para o projeto Cidade Poema (cidadepoema.com). Parte das gravações foi editada em minimetragens com cerca de 30 segundos, exibidos em salas do Cinesystem do Shopping Total de Porto Alegre, acompanhando as sessões diariamente, durante um mês. Vistos também no Cine Bancários, em sessões especiais na Feira do Livro de Porto Alegre e acompanhando exposição de fotos e ilustrações na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. O projeto Cidade Poema, que se articula através de diversas mídias, é dirigido pela poeta, ficcionista e cineasta Laís Chaffe.

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17 Novembro 2011

MORADAS DE ORFEU: POETAS DO SUL DO BRASIL


Moradas de Orfeu é uma antologia de 59 poetas do sul do Brasil, organizada pelo poeta e crítico de teatro e literatura Marco Vasques, da qual participo. Com vários poemas de cada autor, o volume tem 650 páginas. Trata-se da reunião das novas vozes poéticas de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande de Sul. Moradas de Orfeu foi editado com recursos públicos via Lei Rouanet e tem como patrocinadores a Celesc e a Eletrosul. O lançamento foi em Florianópolis, dia 08/11/2011. Em Porto Alegre e Curitiba, será em 2012.
Poetas presentes na antologia

RIO GRANDE DO SUL
Carlos Besen, Celso Gutfreind, Claudio Cruz, Deise Beier, Denise de Freitas, Diego Petrarca, Guto Leite, Jaime Medeiros Jr., Jaime Vaz Brasil, Jorge Bucksdricker, Lau Siqueira, Marco de Menezes, Paulo Scott, Rafael Carvalho Meireles, Ricardo Silvestrin, Ronald Augusto, Ronaldo Machado, Sidnei Schneider, Telma Scherer e Vitor Biasoli

SANTA CATARINA
Alckmar dos Santos, Antonio Carlos Floriano, Bento Nascimento, Cristiano Moreira, Dennis Radünz, Fernando José Karl, Heron Moura, Marcelo Steil, Marinaldo da Silva e Silva, Mauro Faccioni Filho, Mauro Galvão, Patrícia Hoffmann, Ramone Abreu Amado, Raquel Stolf, Renato Tapado, Rubens da Cunha, Ryana Gabech, Valdemir Klamt, Vicente Cechelero e Vinícius Alves

PARANÁ
Ademir Assunção, Ademir Demarchi, Adriano Smaniotto, Beatriz Bajo, Edson Falcão, Fernando Koproski, Jussara Salazar, Karen Debértolis, Luci Collin, Marcelo Sandmann, Marcio Davie Claudino, Marco Aurélio Cremasco, Marcos Losnak, Marcos Prado, Mario Domingues, Ricardo Corona, Rodrigo Garcia Lopes, Rodrigo Madeira e Vinícius Lima

Moradas de Orfeu, org. Marco Vasques, Florianópolis: Letras Contemporâneas, 650 p.

Dossiê Osíris: ainda na ocasião, Marco Vasques e Rubens da Cunha lançaram o primeiro dossiê em formato livro da revista homônima, acerca do escritor Péricles Prado.

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19 Outubro 2011

SPORT CLUB LITERATURA

O Sport Club Literatura, pilotado pela Lu Thomé no StudioClio, é finalista do Fato Literário 2011. Ontem, participei da 4ª edição como juiz debatedor, junto com o poeta e professor Marlon de Almeida, e os professores Camila Gonzatto e Pedro Mandagará. O meu jogo era um clássico: Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto, versus Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. A poeta "amiga das coisas fugidias", foi longe na pesquisa histórica, na contundência e na elaboração formal do seu livro. Escrito na década de 40 e publicado em 1953, durante a chamada Era Vargas, quando o Brasil decidia se seria um país independente, industrializado e democrático ou submetido aos interesses coloniais de Wall Streat (ainda hoje), ela resgatou os primórdios da luta pela liberdade e independência. A delicada Cecília não deixou por menos a prospecção dos traidores, delatores e falsas testemunhas.

Romance XXXIV ou de Joaquim Silvério

Melhor negócio que Judas
fazes tu, Joaquim Silvério:
que ele traiu Jesus Cristo,
tu trais um simples Alferes.
Recebeu trinta dinheiros…
— e tu muitas coisas pedes:
pensão para toda a vida,
perdão para quanto deves,
comenda para o pescoço,
honras, glórias, privilégios.
E andas tão bem na cobrança
que quase tudo recebes!

Melhor negócio que Judas
fazes tu, Joaquim Silvério!
Pois ele encontra remorso,
coisa que não te acomete.
Ele topa uma figueira,
tu calmamente envelheces,
orgulhoso e impenitente,
com teus sombrios mistérios.
(Pelos caminhos do mundo,
nenhum destino se perde:
há os grandes sonhos dos homens,
e a surda força dos vermes.)

Cecília Meireles

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29 Setembro 2011

GUY GOFFETTE

Um poema abordado na oficina de criação poética, com a qual participei da 3ª Jornada de Poesia Moderna da PUC-RS, caiu no gosto dos presentes e foi divulgado através das redes sociais. Como antes já estava na internet, reproduzo-o aqui, agradecendo à poeta Marceli  Andresa Becker que o me enviou em 2010.


EXPECTATIVA

Se vens para ficar, diz ela, então não fales.
Já é bastante a chuva, o vento sob as telhas,
é bastante o silêncio que os móveis entulham
como poeira desde há séculos sem ti.

Não fales por enquanto. Escuta o que me foi
gume na carne: cada passo, um riso ao longe,
o latir do cachorro, a porteira a bater
e esse trem que nunca acaba de passar

sobre os meus ossos. Fica sem palavras: nada
a dizer. Deixa a chuva voltar a ser chuva
e o vento essa maré por sob as telhas, deixa

o cão gritar seu nome na noite, a porteira
bater, ir-se o desconhecido ao lugar nulo em
que vou morrer. Fica se vens para ficar.

Guy Goffette, Bélgica, 1947. Trad. Mário Laranjeira.
Poetas da França hoje: 1945-1995, São Paulo, Edusp, 1996, p. 426. (o poema é apresentado sem título). Attente: 1. (général) expectativa (f); suspense (m); espera (f)  2. (temps) espera (f); tempo de espera.


L'ATTENTE

Si tu viens pour rester, dit-elle, ne parle pas.
Il suffit de la pluie et du vent sur les tuiles,
il suffit du silence que les meubles entassent
comme poussière depuis des siècles sans toi.

Ne parle pas encore. Écoute ce qui fut
lame dans ma chair : chaque pas, un rire au loin,
l’aboiement du cabot, la portière qui claque
et ce train qui n’en finit pas de passer

sur mes os. Reste sans paroles : il n’y a rien
à dire. Laisse la pluie redevenir la pluie
et le vent cette marée sous les tuiles, laisse

le chien crier son nom dans la nuit, la portière
claquer, s’en aller l’inconnu en ce lieu nul
où je mourais. Reste si tu viens pour rester.

Guy Goffette
L’attente, I, La Vie promise, Éditions Gallimard, 1991 ; in Éloge pour une cuisine de province, Éditions Gallimard, Collection Poésie, 2000, p. 237.

21 Setembro 2011

III JORNADA DE POESIA MODERNA PUC-RS

Participo dia 22/09 (quinta), com uma oficina de criação poética (relâmpago), na PUC-RS, a partir das 9 horas da manhã, e no encerramento, dia 23, com lançamento de livros. Programação completa abaixo:
Clique na imagem para ampliar
e então mais uma vez

Comissão organizadora
Prof. Dr. Ana Maria Lisboa de Mello
Prof. Dr. Sissa Jacoby
Prof. Dr. Ricardo Barberena
Anna Faedrich Martins (Doutoranda/PUCRS)
Camila Doval (Mestranda/PUCRS)
Joseane Camargo (Mestranda/PUCRS)
Mires Batista Bender (Doutoranda/PUCRS)
Paloma Laitano (Doutoranda/PUCRS

01 Setembro 2011

EXPOSIÇÃO 1ª PESSOA: PESSOAS

EXPOSIÇÃO 1ª PESSOA: PESSOAS
Sidnei Schneider
O verbo ser não existe em algumas línguas. Para os seus falantes a ideia de “eu sou” é estranha. O que seria a identidade, então? O relativo ao que em nós é estanque ou ao que se constrói ao longo da vida? Compartilhamento da cultura grupal, que em grande parte a define? Algo perceptível somente em relação ao outro, ao que é diferente de mim? Um espelho que nos conhece e que desconhecemos?

A palavra pessoa,derivada do latim persona, aludia à máscara através da qual a voz do ator soava. No nascedouro, portanto, referia-se a um personagem, distinto do eu. O poeta Arthur Rimbaud disse-o de modo contundente: “Eu é um outro”. O euconstituindo-se através das identificações e dos significantes que vem do outro, segundo a psicanálise.


A contradição interna originou a ideia do duplo, com Dr. Jekyll e Mr. Hyde, de Stevenson, os dois William Wilson, de Poe, Borges e eu, do próprio. Mário de Andrade foi além: “Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta”. Walt Whitman pretendeu incorporar a todos num paradoxal Canto a mim mesmo: “Eu me contradigo?/ Muito bem, eu me contradigo,/ (Eu sou amplo, abrigo multidões)”.

Constituímo-nos de relações desde que começamos a escorregar por um túnel de úteros há milhões de anos: “quem não tenha necessidade dos outros homens... se não é deus, é um animal”, apontou Aristóteles. Ideias ou vontades nos definem menos do que atos. Para o artista, a ação mais importante está na arte que produz. É o que vinte e uma pessoas, para além da reunião das suas individualidades, oferecem aqui.


Apresentação da Exposição 1ª Pessoa: Pessoas. Clique no convite.

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24 Agosto 2011

CABARET DO VERBO
















25/08

19h às 22h

Casa de Cultura Mario Quintana

Traga sua caneca!



Exposição: Marcelo Monteiro
– artista de xilogravura, litografia, monotipia, pintura, desenho, fotografia, vídeo e ilustração.

http://artemarcelomonteiro.blogspot.com/


Show: Tamanco no Samba - grupo só de mulheres, com Thá Gonzalez – violão, voz, Ellen Martins – cavaquinho, ganzá, voz, Thayan Martins – pandeiro, cubana, tamborim, agogô, Karol Concórdia – cubana, pandeiro, tamborim, agogô, Gutcha Ramil – percussão, voz, Pâmela Amaro – cavaquinho, percussão, voz, Raquel Albuquerque – surdo.
http://tamanconosamba.blogspot.com


Poesia: Sidnei Schneider - poeta, tradutor e contista. Autor dos livros de poesia Quichiligangues (Dahmer, 2008), Plano de Navegação (Dahmer, 1999).
http://umbigodolago.blogspot.com


Teatro: Cia. Circular – com as atrizes, Ekin e Melissa Dornelles, que há doze anos cultivam 3 pilares: Montagens Cênicas, Arte Educação e Núcleo de Palhaços.
http://ciacircularpoa.blogspot.com


Circo: Cia. de Profissão Circo - circo e teatro, com Pablo Perez, como Pichacha & Karine Rico, como KK.
www.palimpalem.com/2/deprofissaocirco


Malabarismo: Soto – malabarista, artista circense e artista de rua.


Lançamento da Buraco do Cabaré, galeria ao ar livre, na CCMQ, com Marcelo Monteiro.


Parceiros:
Vai! Cia de Teatro, Rádio Web Putzgrila e Cachaça Benzadeus. Apoio: Casa de Cultura Mário Quintana, Associação de Amigos da CCMQ e Secretaria de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul. Produção Cabaré do Verbo: Cris Cubas, Natália Bandeira, Fernando Ramos & equipe. www.cabaredoverbo.blogspot.com

23 Agosto 2011

POEMAS EM FEIJÕES

A artista plástica Rosane Morais escreveu nossos poemas em feijões, para a comemoração dos 73 anos da Associação Riograndense de Artes Plásticas Chico Lisboa.

14 Julho 2011

POESIA NO PICO DA TECNOLOGIA





CODIGO COLETIVO: projeção de poemas em QR CODE
Exposição/Projeção de poemas em QR Code
Instalação de Sandra Santos, parceria CIDADE POEMA, Laís Chaffe.
Reúne cerca de 100 poetas brasileiros e estrangeiros.

Poetas que participam da exposição:

Ademir Antonio Bacca - Ademir Assunção - Ademir Demarchi - Alberto Al-Chaer -Alexandre Brito - Allan Vidigal - Alma Welt - Alvaro Posselt - Ana Melo - Andrea Del Fuego -Andreia Laimer - Antonio Carlos Secchin - Armindo Trevisan - Astier Basilio - Augusto Bier - Barbara Lia - Barreto Poeta - Carlos Seabra - Celso Santana - Claudio Daniel - Cristina Desouza - Cristina Macedo - Diego Grando - Diego Petrarca - Dilan Camargo - E. M. De Melo e Castro - Edson Cruz - Eduardo Tornaghi - Elson Fróes - Estrela Ruiz Leminski – Fabio Bruggmann - Fabio Godoh - Fabricio Carpinejar - Floriano Martins - Frank Jorge - Frederico Barbosa - Gilberto Wallace Battilana - Glauco Mattoso - Gustavo Dourado - Hugo Pontes - Igor Fagundes - Isabel Alamar - Jacqeline Aisenman - Jiddu Saldanha - José Aluisio Bahia - José Antônio Silva - José Inácio Vieira de Melo - José Geraldo Neres - Juliana Meira - Jurema Barreto de Sousa - Laís Chaffe - Lau Siqueira - Leo Lobos - Leonardo Brasiliense - Liana Timm - Lucia Santos - Luis Serguilha - Luis Turiba - Luiz de Miranda - Mano Melo - Marcelo Ariel - Marcelo Moraes Caetano - Marcelo Soriano - Marcelo Spalding - Marcilio Medeiros - Marco Celso Ruffel Viola - Mario Pirata - Marko Andrade - Muryel de Zoppa - Nei Duclós - Nicolas Behr - Nydia Bonetti -Orlando Bona Fº - Paco Cac - Paula Taitelbaum - Paulo de Toledo - Paulo Henrique Frias - Paulo Prates Jr - Pedro Stiehl - Regina Mello - Renato de Mattos Motta - Ricardo Mainieri - Ricardo Portugal - Ricardo Pozzo - Ricardo Silvestrin - Rodrigo Garcia Lopes - Rogerio Santos - Romério Rômulo -Ronaldo Werneck - Sandra Santos - Sidnei Schneider - Silas Correa Leite - Suzanna Busatto - Talis Andrade - Tchello de Barros - Telma Scherer - Tulio Henrique Pereira -Valeria Tarelho - Wasil Sacharuk -Wender Montenegro - Wilmar Silva

CODIGO COLETIVO: projeção de poemas em QR CODE
Local: Castelinho do Alto da Bronze, Centro Histórico de Porto Alegre.
Quando: de 15 a 25 de Julho de 2011

Sobre QR CODE: Foi desenvolvido em 1994 pela empresa japonesa Denso-Wave, para identificação de peças de automóveis. Trata-se de um código de barras 2D que pode armazenar caracteres numéricos, alfa-numéricos, binários, kanji (alfabeto japonês). Os dados podem ser acessados, decodificados, através de dispositivos móveis equipados com câmeras e com um leitor QR compatível. Desta forma é possível ler um trecho de texto, uma mensagem sms ou ser redirecionado por um link a um site de conteúdo publicado na web, como este aqui.

Para seu celular ler código QR, instale o programa. Muitos celulares são compatíveis com o KaywaReader (gratuito). Uma dica: ao baixar o aplicativo java, instale primeiro o arquivo KaywaReader.jad, para não dar ‘error’. Após instalar, acesse o ícone do aplicativo, aproxime o celular da imagem, dê ok e verifique se começa o escaneamento da imagem pelo programa (duas linhas, uma linha vertical e outra horizontal, se movimentando na tela), se depois disso acusar mensagem de ‘error’, tente encontrar o ângulo correto para fotografar.

Celulares iPhone podem instalar o aplicativo Qrafter na própria App Store da Apple. Há outros programas na web, como o Bee Tagg, I-nigma, ou Barcode Reader. Verifique sempre a compatibildade com seu modelo de celular.

Caso queira decifrar um código encontrado na internet, sem o celular, isso também é possível, enviando o arquivo de imagem a este site aqui.

Resumo da decodificação:

Passo 1: um celular com câmara; baixar um programa gratuito, pode ser o KaywaReader; acessar o aplicativo; apontar para a imagem projetada.

Passo 2: o aplicativo KaywaReader scanea o código.

Passo 3: aparece o poema no celular. a captura se dá no "escuro", pois não se sabe de qual poema/poeta é o código.

EXPOSIÇÃO LEONARDO BRASILIENSE

Exposição de fotografias de Leonardo Brasiliense, 15 a 30 de julho, no Castelinho do Alto da Bronze, centro histórico de Porto Alegre.

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LANÇAMENTO O MELHOR DA FESTA 3

Clique na imagem para ampliar

16/07, sábado, no 512 Bar (rua João Alfredo, 512),
a partir das 20 horas.
Org: Fernando Ramos, FestiPoa Literária.

Leituras e shows:
Altair Martins, Augusto Paim, Camila Fialho, Clarice Müller, Daniel Weller, Everton Behenck, Guto Leite, Marlon Almeida, Rodrigo Rosp e Sidnei Schneider.
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Participam da coletânea: Adão Iturrusgarai, Ademir Assunção, Alexandre Rodrigues, Altair Martins, Amilcar Bettega, Antonio Carlos Secchin, Antonio Cicero, Antônio Xerxenesky, Andréia Laimer, Augusto Paim, Bárbara Lia, Carlos André Moreira, Cardoso, Carlos Gerbase, Carlos Pessoa Rosa, Cássio Pantaleoni, Claudia Tajes, Cristian De Nápoli, Daniel Weller, Diego Petrarca, Douglas Diegues, E. M. de Melo e Castro, Everton Behenck, Flávio Wild, Guilherme Orosco, Guto Leite, Henrique Rodrigues, Henrique Schneider, Horacio Fiebelkorn, Jacob Klintowitz, Jeferson Tenório, João Gilberto Noll, Jorge Fróes, Laerte, Laís Chaffe, Leandro Dóro, Liana Timm, Lima Trindade, Lúcia Rosa, Luciana Thomé, Luís Dill, Luís Serguilha, Luiz Paulo Faccioli, Marcelo Spalding, Márcia Denser, Maria Rezende, Marcelo Sahea, Marlon de Almeida, Monique Revillion, Nei Lopes, Nelson de Oliveira, Nicolas Behr, Olavo Amaral, Paulo Ribeiro, Pena Cabreira, Ramon Mello, Reginaldo Pujol Filho, Reynaldo Bessa, Ricardo Silvestrin, Rodrigo Bittencourt, Rodrigo dMart, Rodrigo Rosp, Ronald Augusto, Sandro Ornellas, Sergio Faraco, Simone Campos, Tailor Diniz, Virna Teixeira, Wilmar Silva, Wladimir Cazé, Xico Sá.

Contém desde ficção de autores que estão publicando pela primeira vez em livro, até trabalhos de escritores consagrados e premiados no cenário literário nacional, como Sergio Faraco, escritor homenageado da FestiPoa 2010, Márcia Denser, Nelson de Oliveira, Altair Martins, Ernesto E. de Melo e Castro e Nei Lopes. De acordo com Fernando Ramos, organizador do livro, a publicação desse terceiro volume da coletânea consolida a ideia de elaborar-se a cada ano um volume que registra a memória do evento e possibilita ao público tomar contato com uma grande variedade de trabalhos literários produzidos especialmente para a ocasião.
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Título: O melhor da festa volume três
Número de páginas: 264
Preço: R$ 25,00
Número de autores participando: 71
Conteúdo: poemas, contos, crônicas, cartuns e tiras
Projeto gráfico: Jorge Nácul
Capa: Márcio-André
Revisão: Press Revisão
Supervisão editorial: Laís Chaffe
Organizador: Fernando Ramos
Editora: Casa Verde

13 Julho 2011

O IDIOMA-PEIXE NA POESIA DE MARLON

Prosa do Mar (7Letras/Fumproarte), livro do poeta porto-alegrense Marlon de Almeida, ao trazer uma palavra supostamente distante da poesia no título, parece dar conta da eterna conversa do mar com a orla, estendida à presença da voz dos personagens que a habitam e à linguagem poética utilizada. Esta última busca uma simplicidade e clareza similares à prosa de mar limpo, sob céu azul e sol forte, sem excessivos contorcionismos ou subtrações sintáticos, embora às vezes rebatendo em obscuras vagas, semoventes como o seu objeto. Serve-se dos recursos que a língua oferece à poesia, escasseando-os por vezes, dentro de um andamento que recorda a suave tranquilidade pela qual pugnavam o latino Horácio Flaco e seu discípulo moderno Ricardo Reis.

Seria quase redundância afirmar que uma linguagem desse tipo, que continue interessante e mantenha o corte de profundidade, resulta de uma escrita em nada ingênua. O fato é que Marlon obtém êxito no que se propõe, e em vários momentos. Tal poética, no que se refere à recepção, abre sua obra para a possibilidade de um público letrado mais amplo, o que revela uma opção e um direcionamento, objeto de discussão dos poetas brasileiros desde, pelo menos, a problematização do tema pela conferência de João Cabral de Melo Neto, Poesia e composição, em 1952: a modernidade da poesia relacionada à perda do leitor, “anulando, do momento da composição, a contraparte do autor na relação literária, que é o leitor e sua necessidade” (JCMN. Prosa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998).

A questão, evidentemente, teve respostas diversas, seja através de um texto que usufruía de formas populares, modificadas pela ação consciente do poeta culto, como fez o próprio Cabral, seja através do que hoje parece pouco crível devido à falência da ilusão, a tentativa da poesia concreta no seu nascimento, como observou Paulo Franchetti, de modernizar a poesia a seu modo para aproximá-la do leitor, ideia abandonada antes mesmo da apresentação do seu “plano-piloto”. (PF. Leminski e o haikai, in A pau a pedra a fogo a pique: dez estudos sobre a obra de Paulo Leminski. Curitiba: Secretaria de Estado da Cultura, 2010).

Marlon conhece as limitações do alcance de sua poética numa sociedade em processo, que não erradicou a falta de domínio da língua escrita e a poluição midiática empobrecedora, subprodutos e sustentáculos de uma dominação econômica forânea: “Qual o idioma dos peixes?// Falo pra quem se não pra quem/ não me entende?// Mesmo na água não há como ser/ menos árido”, diz o poema que abre o livro.

O estranhamento em relação à linguagem cotidiana, próprio da poesia, não é puramente verbal. O desvio se opera não na dificuldade ou no grau de distorção da linguagem criada como um fim a atingir mecanicamente até a equívoca ostentação, mas ao apresentar um fato linguístico novo, uma maneira inteligente e pertinente de sentir-perceber o mundo. O que demanda o desvio, portanto, é a necessidade de mostrar a realidade de um ponto de vista distinto do usual, mais profundo e verdadeiro, em qualquer das formas possíveis de poesia, da mais difícil à mais receptível, igualmente podendo se desfazer em qualquer uma delas se não conquista um mínimo dessa espécie de clarividência. Talvez seja redundante, tão redundante quanto necessário, afirmar que o centro do que se chama de realidade em arte se refere à experiência humana, e assim é em Prosa do Mar.

Marlon se distancia, no entanto, da interação corriqueira com o mundo praiano, não pretende ir “pra trapiche passear com turista” como diz num poema, adentrando outro universo, menos abordado e menos óbvio, particularmente em termos de RS: o da vida à beira-mar (ou no mar), no sentido primordial da expressão ou em outro de múltiplas ressonâncias, aquele em que todos vivemos. As infinitas possibilidades do tema refletem-se num poema de rimas vocálicas que retira do paradoxal a sua economia: “O mar não principia/ nem termina.// É como um labirinto/ onde perdeste a linha.// O mar não tem saída.”

Quanto às gentes, a voz de um mestre pescador, recriada em itálico no corpo do poema, ensina o ofício que lhe concerne: “Pois veja: estando o poente na proa/ vira-se o corpo ao contrário e rápido larga-se a rede/ na altura da estrela primeira/ que alguns por costume chamam de Dalva,/ outros de Vênus, mas eu, sendo por anos sabido/ deste oceano de Deus, bem te digo:// Joga-se a rede por brilho de estrelas no olhar”. Pesca-se “Peixe se há, mais a lua e a saudade de casa/ que é coisa de sobra pra quem tá no mar”. Em outro poema, a voz adquirida se descortina: “Olho para o peixe/ (que apesar de morto permanece digno)/ e não sinto pena porque sinto fome”.

Mas não se trata apenas, como já se disse, de uma poesia restrita à aproximação com o específico povo do litoral, vai além: “Digo:/ um marujo deve de ser/ como prato a serviço:/ precisa de ter cicatrizes/ por uso.// Você está servido?” Um pequeno poema já se tornou quase clássico, exemplo dessa simplicidade que não se entrega ao leitor sem sua reflexão e ecoa dentro dele feito som de caramujo: “Como no amor,/ morre no mar/ quem sabe nadar”.

Marlon, o leitor deve ter observado, traz o mar dentro da palavra que mais o identifica, o próprio nome, uma proximidade nada desprezível.

Sidnei Schneider,
Revista Verbo 21, Salvador-BA, Ano 11, número 142, maio 2011, ISSN 2177-3173.

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06 Junho 2011

POEMA 'PER UNA AMICA' EM VÍDEO


Gravado por Sandra Santos, no Castelinho Cultural do Alto da Bronze, em evento que contou com os poetas Alexandre Brito, Sandra Santos, Wilmar Silva (BH), Telma Scherer, Luis Serguilha (Portugal), Sidnei Schneider, May Pasquetti, Ricardo Mainieri, Barreto Poeta, o músico Renato Silva, a cantora Simone Braz, entre outros, em maio de 2011.

PER UNA AMICA

não vou dormir
sem
do recanto lábil
da
tua fala dizer
pelo
menos um discer-
nir
avesso de todo
favo:
me gusta hablar
con
tigo sin labios

Sidnei Schneider

27 Maio 2011

CUIDADOS COM QUEM FAZ DA PALAVRA ARTE

Ao ficcionista ou poeta, explorar o vórtice das contradições do ser humano, da sociedade e do mundo não é algo ocasional, mas parte inafastável do seu cotidiano. O que outros varreriam para baixo do assoalho, a fim de se ocuparem das responsabilidades, o escritor coloca sobre a mesa e usa como matéria-prima para dar conta das suas.

Daí que talvez não seja exatamente mais sensível, como se acredita serem os artistas, mas simplesmente mais aberto a manusear o que, de uma forma ou outra, a todos atinge. Contudo, ao transformar tais questões em palavras, se obtém alguma gratificação, paga um custo. Entrar na caverna do Minotauro pode ser heróico, mas também doloroso. Seja para Ariadne, seja para Teseu.

Alie-se a isso as dificuldades criadas pelo fato de exercer uma atividade que exige longa formação; trabalho solitário e exaustivo, normalmente contabilizado em anos a cada obra; certo desapego para encarar uma remuneração inadequada ou inexistente. Mesmo distante de uma escrita autobiográfica, expõe-se até os ossos, oferecendo a face à crítica e ao público. O conjunto faz do escritor alguém potencialmente frágil.

As histórias de superação ou sucumbência a situações de miserabilidade, internamentos e suicídio são bem conhecidas na literatura. Recordo sempre do que disse o poeta russo Nicolai Assiéiev após a morte de Vladimir Maiakóvski, ao avaliar que a essa fábrica de felicidade, de aspecto invulnerável, os amigos e cidadãos deveriam ter dedicado maiores cuidados.

A um artista da palavra (ou a qualquer outro), esse cuidado recompensa de forma peculiar e distinta. Pequenos gestos sinceros o tocam seguramente mais do que a estrondosa pompa de um prêmio. Gestos desse tipo me fazem relembrar certa madrugada. Um ônibus com a ventarola quebrada circundava os picos de neve, entre Cuzco e Arequipa, a trinta graus abaixo de zero. Nos vidros, cristalizavam-se as infinitas formas das rosáceas de gelo. Três pares de meia nos coturnos, duas calças e camisas, blusão de lhama e sobretudo não me aqueciam o suficiente. A mulher do condutor enrolava e queimava revistas para descongelar o parabrisa e manter o velho ônibus a caminho. Um homem de aspecto incaico levantou e sem dizer nada me estendeu um cobertor. O gesto entalhou-se para sempre na xilogravura da memória. Não exatamente em função de me salvar do frio, mas porque ali estava um ser humano ajudando a outro sem qualquer interesse a não ser o de lhe fazer bem. Não tenho medo de errar: de tais coisas, mais do que de benesses ou facilidades, alimentam-se poetas e prosadores. De alguma forma, buscam reparti-las com o leitor. E no campo oposto, as execráveis são apontadas e dissecadas.

Há pouco tempo, tive de cumprir algo que não fazia parte das minhas tarefas habituais. Criticar comparativamente e por escrito, enquanto jurado de um concurso, obras de autores meus amigos. Fazê-lo e ser ao mesmo tempo cuidadoso não é simples de alcançar fora de uma conversa informal com o colega. Não sei se obtive o bom termo, o fato me ocupa até hoje. Pois quem escreve não está imune à necessidade de prestar atenção e cuidados a seus pares. E, evidentemente, a todos que o cercam, leitores ou não. Assim, ser cuidadoso em relação aos outros é também cuidar-se, no sentido de habilitar cada vez mais a sua humanidade para o convívio.

Sugestionado por uma amiga, escrevi este pequeno texto para meninos e meninas que faziam quimioterapia e seus familiares. Talvez com ele se possa ampliar a discussão.

CONFIANÇA

Vi um pai e uma mãe ao redor de uma pedra redonda de granito, três as filhas. Elas subiam na pedra, deixavam-se cair de costas, e o pai as salvava. A menor, numa das vezes, olhou para trás, insegura. Então o pai falou, olha pra frente, fecha os olhos. Ela fez, e se deixou cair, livre de ter de confiar apenas em si.


Penso que esse liame, a possibilidade de poder contar um com o outro, por mínimo que seja, mina a lei da selva que nos quer indiferentes ou inimigos. Move cordilheiras e outras galáxias.

(Sidnei Schneider)

Texto publicado na revista O Cuidador, Ano III, N° 14, Jan. 2011, pp. 6-7, sobre tema sugerido pela editoria, sob a direção de Marilice Costi. Reproduzido pelo portal Artistas Gaúchos.

18 Maio 2011

FOTOS EXPOSIÇÃO CIDADE POEMA

Algumas das 40 fotos de 40 poetas da Exposição Cidade Poema, clicadas por Leonardo Brasiliense e Fernanda Bigio Davoglio, com desenhos de Guilherme Moojen, performance de Débora Finocchiaro (na abertura) e minimetragens de Laís Chaffe, organizadora de tudo. Aberta até 27.05.2011, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, fonte das fotos.

Luís Fernando Verissimo, por Fernanda Bigio Davoglio


Fabrício Carpinejar, por Leonardo Brasilense


Everton Behenck, por Leonardo Brasiliense


Maria Carpi, por Leonardo Brasiliense


Augusto Franke Bier, por Fernanda Bigio Davoglio


Paula Taitelbaum, por Fernanda Bigio Davoglio


Sidnei Schneider, por Leonardo Brasiliense

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