13 outubro 2005

OS BOXEADORES


no boxe entrelaçados,
os turros lutadores
descansam abraçados.

pela vida batidos,
o primeiro relaxa
com sangue no olho.

pela morte batidos,
do outro não se encaixa
a pálpebra maçada.

mas se cada um deles
vê a dura realidade
na cegueira da luta,

cada um deles sente,
não há nenhum descanso
que os resgate da bruta:

despregam-se das asas,
pesos-pena no ringue,
abandonam a cicuta,

alto erguem os punhos,
arregalam os olhos,

reiniciam a luta.


Sidnei Schneider, 2002.
do livro Quichiligangues

1 Comments:

Blogger Cezar Dias disse...

Este poema eu não conhecia, mas como gostei! Tens de mostrar outros, como o do bandônio.

16/10/05 13:16  

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